Alhos e Retalhos

Bom, se estão estranhando o nome do blog, explico. Retalhos é sobre o que pretendo escrever - retalhos de sentimentos, percepções, observações, leituras, indignações, alegrias, curiosidades, filmes, etc etc. Reunidos, eles formarão uma colcha de patchwork de vivências. E qual o papel do alho nisso tudo? Ora, não existe um ditado "alhos e bugalhos"? Pois é, o alho também é formado por diversos pedaços, nem todos gostam de seu sabor, mas se usado com parcimônia, é gostoso, demasiadamente fica insuportável. Então, pretendo que o alho funcione como balizador dos meus retalhos. De vez em quando posso extrapolar os limites e meus comentários ficarão intragáveis, outras vezes poderão ser digeridos de forma mais suportável. Se alguém não gostar de meus retalhos, não se preocupe, lave as ideias que o cheiro de alho sai logo. Ah, e alhos também significa que vou postar algumas receitas gostosas para vocês!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Um livro imperdível - A Queda

Diogo Mainardi - muitos não gostam do seu estilo e de seus posicionamentos como jornalista. Eu gosto e muito!! Sarcástico e ferino, vai direto ao ponto, sem meias palavras.

Bom, mas terminei de ler seu último livro - A QUEDA - as memórias de um pai em 424 passos. Seu primeiro filho, nascido em Veneza, por um erro médico no momento do parto, tem paralisia cerebral. E Diogo pai/autor nos conduz pelos caminhos dele com Tito, um passo após outro, "tecendo uma teia que enreda sua história familiar e a da literatura, da arte e das ideias". Uma lição de vida e de amor, de história e de arte. Nada de sentimentalismo ou tentativas de se mostrar como exemplo. Não é livro para se ler e ficar chorando. Como ele mesmo diz "O livro que converte meus sentimentos em seu equivalente intelectual é esse aqui" (312). E nós acompanhamos  os passos de Tito com seu pai pelos meandros do cotidiano de suas necessidades e possibilidades, mas também da história, das artes, dos personagens que vão brotando das relações que o autor/pai  estabelece com a trajetória dos dois em busca do tempo perdido. E que se recupera.  É lindo ver como ele se despe da vaidade ilusória de ser o centro do universo e Tito passa a ser "o resultado de tudo que eu havia visto e lido. Em particular, ele era o resultado de tudo o que eu amava." (238)
 
Não deixem de acompanhar essa caminhada, expressa nos 424 passos de um pai com seu filho! Tito continua a caminhar, Diogo parou de contar seus passos e os leitores aprendem que saber cair tem muito mais valor do que saber caminhar. Tito e Diogo que o digam!